O CANIL

Nossa história começa muito antes de termos cães de raça. No final da década de 70 nosso amor por cães já era evidente, possuíamos cães para o campo chamados de “ovelheiro pelo de arame”.

Com o passar dos anos a ideia de termos cães de raça ficou mais viva ao ver os filmes da época. Rin-tin-tin e Lassie eram nossos preferidos!

Já no início da década de 80, tínhamos um Pastor Alemão e um Fila, ambos sem pedigree. Nosso amor aumentava cada dia mais. Nesta época, ao colecionar a revista “Cães, Raças do mundo Inteiro”, nos deparamos pela primeira vez com a imagem de dois mastinos. Seus nomes: Sócrate di Ponzano e Bice Di Ponzano. Foi amor à primeira vista e inspiração para um dia quem sabe, realizar o sonho de ter um cão desta raça.


Em 1991 este sonho se realizou. Compramos nossa primeira mastim, a Bruma do Apalai, após adquirir nossa primeira Rottweiler, Brixia De Los Pinhales. Em 1992 registramos nosso canil e começamos a participar de exposições, o que nos ensinou muito. Graças aos apontamentos dos juízes e dicas de criadores de outras raças começamos a aprender como se deve criar um cão de raça. Não bastava apenas ter um cão com pedigree, era preciso estudar e aprimorar nosso plantel.

Com o passar dos anos compramos muitos cães e importamos cães importantes. Em 1994 tivemos a ninhada que marcou nosso canil e que consideramos a mais especial de todas. Foi entre Ch. Marcia (importada da Itália e filha de Claus Del Nolano) com Ch. Eduardo Della Grotta Azzurra (filho de Hatrin Della Grotta Azurra). Desta ninhada, tiramos cães como o Multi Ch. Desiderio Von Lang, Dafne Von Lang, entre tantos outros.

Muitos outros cães de fora marcaram nosso canil, como Ocliria Della Grotta Azzurra, Judah Di Graziano, Ulisses Di Graziano, Chinonrisicanonrosica, Zara Patrizio Italia, Desiderio, Sanita La GrandeOmbra, Ohana Beggiato, Benvenutta De Los Gladiadores de Arena, entre outros.

Nosso canil começou na cidade de Cachoeira do Sul e desde 2001 está localizado em Campo Bom/RS. Em uma área de 20.000 m² de mata nativa, contamos com 10 boxes individuais de 24 m² cada.


A RAÇA

O Mastino Napoletano é uma raça italiana com mais de quatro mil anos de história. De lá para cá, a raça evoluiu, porém, manteve algumas de suas características que a tornam única entre as raças caninas reconhecidas oficialmente no mundo.

Esta raça chama a atenção pela força e potência do seu corpo, em conjunto com seu olhar calmo e suave. Contudo, é um cão tranquilo, não impulsivo, nem agressivo sem razão. Porém, quando é necessário, sabe lutar como nenhum outro e intervir com decisão e grande coragem, protegendo seu dono e a família com determinação.

O Mastino Napoletano sabe distinguir um indivíduo mal-intencionado, sabendo reconhecer amigos e inimigos. É generoso com as crianças e com os pequenos cães. Não lhe agrada entrar em brigas sem razão, mas se é provocado não deixa que violem a sua dignidade. É fiel e feroz na guarda da casa, em lojas e mercadorias.

Em épocas mais remotas os Sumérios se dedicavam à criação de cães de grande porte e potência com a finalidade de utilizá-los em combates contra inimigos ou em caçadas de grandes mamíferos, como leões. Suas características principais eram:

- Cabeça possante e volumosa;

- Focinho curto e de grande potência;

- Membros fortes e possantes, suportados por uma ossatura de grande tamanho;

- Tronco forte e sólido de tamanho impressionante.

 

Este tipo de cão, de muita potência, encontra suas origens mais remotas no Mastin do Tibet, progenitor de todos os molossoides. Os Sumérios, um povo misterioso e ao mesmo tempo culto e evoluído, em suas migrações levou para a Mesopotâmia esta raça. Entre os rios Tigre e Eufrates foram encontrados diversos achados arqueológicos sobre a raça e que estão expostos atualmente nos mais importantes museus do mundo.

Na Mesopotâmia em 2000 a.C, existiam grandes centros habitados (Eridu, Susa, Ur, Uruk, etc) nas quais eram criados estes grandes cães que eram utilizados para defender a propriedade e rebanhos dos ataques de leões, que estavam presentes nesta época em todas estas regiões. Sendo que as ações destes cães entravam nas lendas populares e despertavam o interesse de artistas da época. Neste período são feitas as primeiras representações artísticas históricas destes cães na Mesopotâmia. A semelhança do cão desta época com o atual Mastino Napoletano é gigantesca.

A partir da Mesopotâmia estes cães foram migrando por meio das guerras no ocidente seguindo três diretrizes: Uma mais ao norte, através da Grécia, da Macedônia e Albânia. Uma mais ao sul através do Egito e da Líbia. E a terceira através da costa mais oriental da Bacia do Mediterrâneo, na terra dos Fenícios. Sendo esta, uma passagem fundamental para o crescimento e expansão da raça em toda a Europa e em particular na Itália.

Cães tão poderosos eram com frequência objeto de presentes entre os poderosos da época. Alessandro Magno era orgulhoso de seus molossos, que foram presentes de um rei. O cônsul romano Paolo Emilio, vitorioso com suas legiões nas regiões da Molossia, levou para Roma alguns destes grandes cães para mostrar ao povo.

A presença do Mastino na Bretanha confirma a hipótese que antes mesmos dos Romanos, foram os Fenícios, mestres absolutos do comércio daquela época, a difundirem na Bacia do Mediterrâneo este tipo de cão, certamente junto a outros, que sucessivamente originaram nosso Cirneco dell’Etna e todas as raças ibéricas dos Podengos.

O Mastino é descrito por cinófilos como um ótimo guardião da casa e da propriedade. No Império Romano ele era utilizado ao lado das legiões na guerra, em combates com feras em circos, em Tribunais Renascentistas na Itália, além de ter sido protagonista de caças de grandes animais selvagens (cervos e javalis). O Mastino é basicamente um cão de guarda. E por esta sua fama inata de guardião da propriedade que na época Romana os patrícios o queriam como guardião das vilas. Caído o império Romano, os cães encontraram aos pés do Vesúvio um ambiente favorável a eles, tanto para estabelecerem um estreitamento com o território, assim como com o povo que o idolatrava.

E foi nesta terra, sempre aos pés do Vesúvio, que Piero Scanziani encontrou o Mastino Napoletano, que hoje é requisitado por cinófilos de todo o mundo. Embora se trate de uma das mais antigas raças de cães, ela somente ressurgiu e passou a ser conhecida a partir de 1946, em uma exposição perto de Nápoles, dando início ao ressurgimento da raça que passou a se chamar Mastino Napoletano, pois havia sido redescoberta na cidade italiana de Nápoles.